Diário de um Crohnista

Em busca da nossa essência

  • Autoestima

Talvez você não conheça mas existem 5 estágios no luto que toda pessoa passa, identificado pela psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross, que são Negação, Raiva, Negociação, Depressão e Aceitação. Eles também se encaixam em qualquer situação difícil e que exige uma mudança em nossa vida, como na doença, o fim de um relacionamento, a perda de um trabalho,

Isso acontece por causa da nossa identificação com nossa rotina, nosso corpo, nossa situação, nosso relacionamento, onde passamos tanto tempo criando, buscando ou idealizando o que temos, que não conseguimos pensar numa forma diferente de viver. “Como vou continuar vivendo com uma doença?”, “Meu relacionamento acabou, como vou sobreviver sem ele/a?”, “Como vou conseguir outro trabalho?”.

Com as Doenças inflamatória Intestinais (DII’s) não é diferente. Por ser uma doença crônica, grave, sem cura e que muda a nossa vida, no começo não queremos aceita-la, ficamos com raiva ou entramos em depressão. Todo mundo passa por isso, alguns com mais dificuldades do que outros, mas é algo normal e cada um tem seu tempo.

Mas pode ser mais rápido se aceitarmos nossa condição. Não digo aceitar de se entregar e não fazer nada a respeito, mas de aceitar o fluxo da vida e não se opor a ela.

Quando aceitamos isso, vamos para outro nível, onde vemos que nada é permanente ou definitivo, os momentos vem e vão, bons e ruins, é assim que a vida acontece. A partir disso temos a opção de sofrer, de se apegar em algo passageiro, ou não. Assim alcançamos a paz, independente de estarmos felizes ou tristes com nossa situação de vida atual.

Quando chegamos nesse nível, é mais fácil ir para o próximo, a percepção de que nós não somos nossos problemas.

Todos nos nascemos saudáveis, sem preocupações e felizes, esse é o nosso estado natural, como somos, desde sempre. Tudo o que adquirimos depois disso; traumas, medos, doenças, são resultados, consequências de algo externo, mas não fazem parte essencialmente de nós. O que precisamos fazer é abandonar essas bagagens pesadas que carregamos e voltar ao nosso estado natural, saudável e alegre de ser.

Espero que você esteja entendendo, mas se não, me permita dar o meu exemplo. Desde de pequeno eu nunca fiquei doente, nunca fui internado, quebrei algum osso ou precisei levar pontos. Depois de uma fase difícil fui diagnosticado com Crohn e tive que tomar 3 remédios. Foi difícil no começo, mas me adaptei e estou bem e em remissão há um tempo. Eu continuo tomando os remédios mas não me reconheço quando os tomo, é como se eles fossem para outra pessoa e não para mim, aquela criança que nunca teve problema de saúde.

Nós não somos nosso corpo, nosso trabalho, nosso diploma, nosso relacionamento, nossa imagem de pessoa doente, isso são rótulos criado pelo ego, uma falsa identidade, individualista, que precisa ser alimentada para continuar existindo e separada de tudo. Mas nós somos muito mais do que isso e fazemos parte de algo muito maior, uma única unidade com tudo. Não existe o Aqui e o Ali, Você e os Outros, Você e o Mundo. Você é o mundo.

Eu sei que não é tão simples a ideia de abandonar nossos problemas e ter uma vida tranquila, mas comece aceitando o presente do jeito que ele é, não categorize uma situação como boa ou ruim e veja as coisas de uma maneira diferente. Isso é um exercício constante. Procure lembrar e voltar ao seu estado natural. Você pode ter uma doença, preocupações, dúvidas, traumas, medos, mas nada disso pertence a você.

PS: Se você se interessar por esse assunto, eu gostaria de te recomendar o excelente livro O Poder do Agora escrito por Eckhart Tolle, onde fala muito bem sobre tudo isso e vai mudar sua vida.

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Sobre mim

Meu nome é Sérgio Junior, eu tenho 25 anos e sou portador da Doença de Crohn desde 2014, uma Doença Inflamatória Intestinal (DII), autoimune, sem cura e com causa desconhecida. Mesmo com a doença, pude conquistar muitas coisas e hoje ter uma vida normal. Criei esse blog pra ser mais uma fonte de informação, ajudar os outros portadores, divulgar as DII’s para sociedade e mostrar que é possível viver bem com uma DII.